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UMA CRUZ DE ALGODÃO DOCE

Naquele tempo, Jesus olhava a multidão se aproximando do cênico Calvário. Do alto da cruz, cuja sombra se estendia até o limite da plateia, o pseudocristo ouvia o chiado de cochichos e de pés se arrastando. Os contrarregras esforçavam-se para manter em ordem as filas dos mais de trezentos crismandos que, de mãos dadas, iam em direção à cruz e se acomodavam na brita coberta de tiras de lona. Dependurados, presos por um nó um tanto apertado, os braços do Jesus formigavam. Sob a luz leitosa da noite, a mistura de mel e de corante vermelho do sanguinho, sua barba junina e sua túnica de TNT pareciam menos ridículos. Entre gemidos e suspiros, o ator se preparava para começar a encenação. Quando soltou um muxoxo, seguido de outro, percebeu que não havia retorno na caixa de som e afligiu-se: estaria desligado o microfone? Sem bateria? Que nada, ficasse tranquilo! O caso era que o cara lá queria dar antes umas palavrinhas; e dedilhou no violão uma melodia hipnótica enquanto arengava qualquer co...

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